sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Creatina para equilibrar o açúcar

Usada como suplemento por atletas que pretendem melhorar o rendimento em provas de curta duração, a substância tem se mostrado capaz de reduzir a glicemia de portadores de diabete tipo 2

Ela já teve seus dias de glória e ficou em primeiro no pódio dos suplementos campeões em academias de ginástica. Mas a desconfiança de que pudesse ir além do limite — chegando, dizia-se, a causar problemas aos rins — mandou-a para o limbo, onde permaneceu por anos. Agora a creatina volta à competição com a ficha limpa e mais poderosa que nunca, tendo como prova de seu lado inocente um estudo da Universidade de São Paulo, feito na Escola de Educação Física e Esporte.

“O uso da substância não provoca nenhum dano à saúde”, constata Bruno Gualano, autor do trabalho, que é professor de metabologia do exercício na USP. O cientista garante que a creatina não provocou alterações nem mesmo em indivíduos com problemas renais prévios. “Monitoramos diabéticos tipo 2 por três meses e acrescentamos, além de exercícios físicos, doses de creatina à dieta de metade deles. Nesse grupo, o resultado foi uma melhor sensibilidade à insulina e o controle da glicemia”, diz.

O segredo, segundo Gualano, estaria em uma proteína conhecida como GLUT-4, encontrada dentro dos músculos. Em pessoas saudáveis, ela se desloca continuamente do interior para a superfície celular e vice-versa, transportando, nesse caminho, a glicose presente no sangue para dentro dos tecidos. Nos diabéticos tipo 2, em que a insulina não cumpre direito o seu papel, essa outra proteína, a GLUT-4, também deixa de fazer suas idas e vindas como deveria. E a creatina parece agir exatamente sobre essa segunda substância.

A notícia chega em um bom momento. Afinal, em maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária liberou sua comercialização. “A evolução do conhecimento científico comprovou sua segurança para auxiliar o desempenho de atletas durante exercícios repetitivos de alta intensidade e curta duração”, afirma Maria Cecília Brito, diretora da agência. Antes da resolução, o produto não possuía registro e, portanto, não podia ser vendido legalmente.

Identificada há longínquos 175 anos pelo químico francês Michel Eugène Chevreul (1786-1889), “a creatina é sintetizada naturalmente nos rins e no fígado e também pode ser obtida pela ingestão de carnes”, explica Getúlio Bernardo Morato Filho, médico do esporte do Centro de Medicina Preventiva e Esportiva, em Brasília. Sua forma em pó, o suplemento, tornou- se popular após o velocista britânico Linford Christie, hoje com 50 anos, creditar sua vitória nos 100 metros rasos na Olimpíada de Barcelona, em 1992, aos efeitos da substância.

“A concentração nas carnes é baixa, cerca de 1 grama por bife, insuficiente para agilizar a performance de atletas de alto rendimento, em que um segundo a mais de atividade intensa pode fazer a grande diferença”, diz Getúlio Filho. A dosagem contida no bife também não é o bastante para assegurar benefícios terapêuticos como o controle glicêmico. Na USP, os pesquisadores conquistaram bons resultados contra o diabete prescrevendo 5 gramas diários de creatina.

Para ter outros efeitos positivos — existe a suspeita levantada por trabalho da Universidade de Sydney, na Austrália, de que a creatina poderia melhorar a cognição —, estima-se que seria preciso uma quantidade ainda maior da substância. Isso porque 95% da creatina se dirige a células musculares e, em números absolutos, o que sobra para outras regiões do corpo é muito pouco.

Investigações assim despertam a seguinte curiosidade: será que, no futuro, a creatina será ingrediente fundamental de medicamentos contra o diabete e, quem sabe, contra doenças degenerativas do cérebro? Ninguém tem a resposta. “Outros estudos devem ser feitos para aumentar o embasamento científico desses achados”, pondera Jomar Souza, diretor da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. “Não podemos ter pressa para não incorrer no erro de prescrever creatina a quem não precisa ou a quem nem sequer deveria utilizá-la”, conclui.

por LÚCIA NASCIMENTO design PILKER e LUCIANE FERNANDES.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Dá para emagrecer dormindo? Sim, é só fazer musculação...

Por Ceres Prado

Ao pensar em alguma atividade para emagrecer, invariavelmente a corrida, bicicleta, caminhada, ou seja, exercícios aeróbicos, são os primeiros da lista. O que você provavelmente não sabe é que, a longo prazo, o gasto de energia em musculação pode ser superior. E se você está destreinado, os exercícios de força consomem mais energia em menos tempo.
As atividades aeróbicas queimam gordura, mas só após certo tempo. Já os exercícios mais intensos e não tão longos, como a musculação, queimam reservas mais rápidas encontradas no músculo, como o ATP, o glicogênio e a creatina. Por isso, têm a fama de não ajudar no emagrecimento.
No entanto, nas horas posteriores (e mesmo dias depois), o corpo precisa recuperar as reservas energéticas utilizadas no esforço. Além disso, é preciso recuperar as células musculares e aumentar o volume de músculo (hipertrofia) como adaptação ao esforço sofrido. Para tudo isso o corpo utiliza energia, as tão famosas calorias, que vêm em sua maior parte das reservas de gordura. O total gasto durante o treino deve ser visto junto com o que foi gasto nas horas posteriores.
Assim, o total de energia gasta em um treino de musculação com maior intensidade e menor duração pode ser semelhante ao de um treino aeróbio mais longo. Uma pessoa destreinada pode não aguentar tanto tempo de corrida quanto seria necessário para emagrecer. Já na musculação, com intervalos, é possível começar com treinos que já consomem mais energia.

Emagreça dormindo

A musculação proporciona a alteração da composição corporal: ganha-se (ou pelo menos mantêm-se) os músculos, que constituem a massa magra, e perde-se gordura, a massa gorda. O professor Tiago Poggio, da academia Bio Ritmo, comenta que “o emagrecimento deve estar relacionado com a perda de massa gorda e não de massa muscular”.
Nessa conta, muitas vezes o efeito não aparece na balança, pois a massa muscular pesa mais do que a gordura, ocupando um volume menor. Ou seja: podemos emagrecer visivelmente, ganhando músculos e perdendo medidas, sem que isso seja perceptível no peso.
A massa magra também acelera o nosso metabolismo: os músculos gastam mais energia para se manter do que a gordura. Com isso, o aumento da massa magra acarreta um aumento da energia necessária para manter o corpo vivo no seu dia a dia (taxa metabólica de repouso). Assim, o ganho de massa muscular contribui para o aumento do gasto energético em repouso, e você emagrece dormindo.
Um pequeno aumento da massa magra provoca um aumento quase insignificante do metabolismo, mas algumas alterações fisiológicas (ainda não completamente explicadas) indicam que a musculação gera um aumento do metabolismo desproporcional ao ganho de massa muscular, bem mais significativo para o total de energia gasta em um dia.

Dieta mais exercício

Assim como qualquer outro exercício, a musculação não faz milagre. Ela terá efeitos muito maiores se combinado com uma alimentação adequada, o que não significa passar fome. O corpo precisa de uma série de nutrientes para compor a nova massa muscular, para isso, uma alimentação balanceada é essencial.
Na falta de alimento, a primeira coisa que o corpo faz é diminuir a massa muscular, pois ela consome muita energia. Mas, segundo o professor Paulo Gentil, presidente do Gease (Grupo de Estudos Avançados em Saúde e Exercícios) e autor do livro “Emagrecimento: quebrando mitos e mudando paradigmas”, pesquisas mostram que mesmo em dietas muito restritivas, a musculatura é preservada se a pessoa fizer musculação e a massa gordurosa é perdida. Já se a dieta rigorosa for feita junto ao treino aeróbico, há perda de peso semelhante, mas também perde-se massa muscular, diminuindo o metabolismo de repouso. O ideal é consultar um nutricionista para adequar a dieta ao exercício e a seus objetivos de perda de peso.

Fonte: Uol

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Melancia é eficaz contra a pressão alta...

Fonte: Diário da Saúde/Portal da Educação Física

Melancia contra hipertensão

Não importa em quantas fatias você a divida, a melancia ainda manterá uma série de benefícios - o agradável saber adocicado, baixas calorias, alto nível de fibras e muitos nutrientes.
E agora há mais um item nessa lista: um novo estudo concluiu que a melancia pode ser uma arma natural eficaz contra a pré-hipertensão, um precursor das doenças cardiovasculares.
A pesquisa, a primeira desse tipo realizada em humanos, foi feita por Arturo Figueroa e Bahram H. Arjmandi, cientistas da Universidade do Estado da Flórida, nos Estados Unidos, e publicada na revista científica American Journal of Hypertension.

Efeito vasodilatador da melancia

Os pesquisadores descobriram que a ingestão diária de seis gramas do aminoácido L-citrulina/L-arginina, retirados do extrato da melancia, durante seis semanas, resultou em uma melhoria da função arterial.
"Essa descoberta sugere que este alimento funcional tem um efeito vasodilatador, que pode impedir que a pré-hipertensão progrida para a hipertensão total, um importante fator de risco para ataques cardíacos e derrames," afirma Figueroa.
O efeito imediato foi uma redução da pressão arterial aórtica em todos os nove participantes pré-hipertensivos - quatro homens e cinco mulheres na pós-menopausa, com idades entre 51 e 57 anos.
"Dadas as evidências encorajadoras geradas por este estudo preliminar, vamos continuar a pesquisa e incluir um grupo muito maior de participantes na próxima rodada," acrescentou o pesquisador.

Por que a melancia?

"A melancia é a mais rica fonte natural comestível de L-citrulina, a qual está intimamente relacionada com a L-arginina, um aminoácido necessário para a formação do óxido nítrico essencial para a regulação do tônus vascular e para a manutenção de uma pressão arterial saudável", explica Figueroa.
Uma vez no corpo, a L-citrulina é convertida em L-arginina. Simplesmente consumir a L-arginina como suplemento dietético não é uma opção para muitos adultos hipertensos porque ela pode causar náuseas, desconforto gastrointestinal e diarreia.
Por outro lado, a melancia é bem tolerada por praticamente todos os pacientes. Os participantes no estudo-piloto não relataram nenhum efeito adverso.
E, além dos benefícios vasculares da citrulina, a melancia é uma fonte abundante de vitamina A, B6, C, potássio, fibras e licopeno, um antioxidante poderoso.
De acordo com Arjmandi, a melancia pode até mesmo ajudar a reduzir os níveis de glicose no sangue.

Alimentos funcionais

Segundo o Dr. Arjmandi, os alimentos funcionais, como a melancia, podem ajudar a combater condições de saúde que atingiram níveis epidêmicos, como os elevados níveis de colesterol.
"Por alimentos funcionais queremos dizer aqueles alimentos que já foi demonstrado cientificamente que são capazes de promover a saúde ou de prevenir doenças, acima e além dos outros nutrientes intrinsecamente saudáveis que eles também contêm," explica ele.
Figueroa acrescenta que a suplementação de L-citrulina oral pode permitir a redução na dosagem de anti-hipertensivos necessários para controlar a pressão arterial.
"Melhor ainda, pode impedir a progressão da pré-hipertensão para a hipertensão," conclui ele.

Escolinha de Futebol do Náutico

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